ENTREVISTA: Dr. Adeilson Nogueira revoluciona, detona e pede seriedade do programa que faz parte

Lobo – Boa tarde Dr Adeilson, é um prazer entrevistá-lo mais uma vez. De antemão, quero dizer que ouvimos o programa por causa da sua brilhante participação, sem tirar o crédito dos demais. O Sr. tem conteúdo, faz uso do senso crítico e seus comentários são lastreados no conhecimento de causa. Ouvindo o programa neste sábado, fomos surpreendidos com a sua reação, contradizendo e até contrariando alguns da equipe. A pergunta é:

Por que o senhor resolveu tomar uma atitude e chamar a responsabilidade das informações? Uma arrumação da casa?

Adeilson Nogueira – Boa tarde, agradeço o lisonjeio, sei que não sou merecedor de boa parte dele. Você está apenas diante de uma pessoa que procura pautar sua linha de conduta dentro da técnica, graças aos anos dedicados à administração pública, a gente tem uma facilidade de fazer o cotejo das informações, à luz do que dispõe a Lei Orgânica, o Estatuto do Servidor Público e o Regimento Interno da Câmara.

A depender do caso, a gente tem como expressar uma opinião técnica baseada no que diz o texto frio e insensível da lei. Eu não diria que, no sábado, nós fizemos essa arrumação da casa.  Eu apenas procurei analisar um pouco mais a denúncia que havia sido levado a público uma semana antes, que foi a questão envolvendo o tratorista que, segundo se alega, prestou serviço na propriedade do prefeito e do seu filho, entre outras propriedades, como ele próprio afirmou. De início, à primeira vista, parecia algo gravíssimo, porque envolvia a maior autoridade do município, e havia algumas expressões de que se tratava de um crime.

Isso tornava ainda mais grave, o que eu já havia considerado grave na primeira oitiva. Aí resolvi me aprofundar um pouco mais, quando nos defrontamos com o artigo 18 da Lei Orgânica e vimos que não era bem aquilo que estava sendo apregoado não só no programa A Voz do Povo, como também outros programas durante a semana, sendo objeto de discussão inclusive no programa da “gata amarrada” quando gerou toda aquela celeuma: se o rapaz deveria falar juntamente com o nosso colega, que eu declínio de falar o nome no momento.

Mas a situação não era bem aquilo que estava sendo apresentado, e como profissionais que somos, a gente precisa ter muita atenção quando vai fazer alguma investigação. Não só constatar o fato, como também fazer uma busca, pesquisar ou procurar entender da questão legal, para que lá na frente a gente não venha a ser responsabilizado criminalmente por uma denunciação caluniosa e ter que arcar com dano moral.

Lobo – Além do conhecimento jurídico, o senhor também tem a experiência de ter trabalhado em várias administrações e conhece muito bem os corredores das instituições públicas. Isso é uma bagagem extraordinária para ser utilizada em um programa de rádio; falar para o povo o que é uma administração pública e quais são os deveres e direitos dos cidadãos, e como o prefeito deve proceder em relação a isso.

Gostaria que o sr. Falasse do profissionalismo e do sensacionalismo

Adeilson Nogueira – A gente precisa ser profissional e não deixar que os holofotes e aplausos momentâneos subam até as nossas cabeças. É preciso ser humilde, prático, técnico, e fazer as coisas com responsabilidade para que a gente durma com a consciência tranquila. Eu não me deixo envaidecer de maneira alguma por estar participando de programa de rádio ou por fazer alguma colocação que gere o clamor social. Aí sim, eu venho para o seu questionamento.

Realmente, a experiência com administração pública, a experiência com o estudo das leis e do comportamento do Direito em si, a gente pode apresentar um comentário mais prudente, dentro da ética, da técnica e da responsabilidade. Nesse sentido, fortalece nosso poder de argumentação.

O que o sr tem a dizer do rapaz que fez acusações sem consultar quem já estava na estrada há mais tempo?

Adeilson Nogueira – Quando você pergunta sobre o comportamento de um rapaz, gostaria que as pessoas entendessem que nós fazemos como uma aula, e que observasse a linha do programa como uma escola para quem está entrando agora no mercado de trabalho, para quem está querendo adquirir uma experiência. É sempre bom ouvir quem já tem alguns anos a mais no rádio e que tome isso como uma lição, como uma experiência que vai melhorar o seu desempenho, posteriormente.

Lobo – Bira, o comentarista das causas sociais, vez ou outra puxa a orelha de um dos âncoras quando abusa da retórica. Dessa vez não só ele, o Sr. também deu um belo puxão de orelha no rapaz, no momento em que o mesmo, extrapolava nas suas afirmações e colocava a credibilidade do programa em cheque. O lado positivo disso, se ele entender, é que poderá aprender com isso, e que será útil para a sua carreira. Por outro lado, o ouvinte passa a ter mais respeito pelo apresentador honesto e que não admite oba oba. Ele percebeu que existe uma responsabilidade por parte do apresentador. Gostaria que o Sr. fizesse as suas considerações finais sobre o programa de sábado, no qual o rapaz foi desautorizado.

Adeilson Nogueira –  São quatro apresentadores, e eu entendo que nada mais natural do que uma informação levada por um colega seja corroborada com mais informações que resgatem e busquem o valor daquela matéria apresentada. Porque se você lá na frente ver que aquela matéria era uma matéria acionada para o lado político e que estava sendo passada de forma leviana, perdemos todos.

Perde o ouvinte e perde a população, perde o programa, a emissora, inclusive sob pena de uma responsabilização. A gente busca lapidar e tornar aquela matéria mais adequada para o entendimento da população, e dentro do que a lei determina. São quatro cabeças e todas devem ser livres para a qualquer tempo intervir e tentar fazer algum tipo de correção, no sentido de que ganhe mais respeito e mais credibilidade. É nesse sentido.

Agradeço mais uma vez a oportunidade de poder falar com você, Lopes. Quero que saiba do grande respeito que eu tenho por você. Ao longo dos anos, tem se mostrado o profissional que você é, muito centrado e que não se deixa levar por paixões políticas. Quando nós encontramos profissionais desvinculados da política, nós temos prazer em ler suas matérias, porque a gente observa a seriedade, o compromisso assumido perante a opinião pública. Bom trabalho e uma boa tarde também a todos os seus leitores que eu sei que são muitos. Um grande abraço, até a próxima.

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