O depoimento da médica Ludhmila Hajjar será esclarecedor

O Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que sua equipe protocolou um pedido para que Ludhmila Hajjar, a médica que foi cotada para assumir o Ministério da Saúde em março deste ano, seja ouvida na CPI. O objetivo da sua convocação é descobrir quais foram os temas das reuniões que teve com interlocutores do governo quando foi cotada para substituir Eduardo Pazuello. 

Segundo o senador, ao rejeitar o cargo de ministra, Ludhmila alegou “divergência técnica” com a equipe e encaminhou um parecer técnico que foi rejeitado. O depoimento da cardiologista a CPI é importante para saber quem fazia parte da comissão que se reuniu com presidente Jair Bolsonaro e defendeu o uso da cloroquina mesmo sem eficácia comprovada.

Ludhmila Abrahão Hajjar, é diretora de ciência e tecnologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A cardiologista e intensivista, ela alertou 12 de abril do ano passado, sobre os riscos cardíacos no uso da cloroquina e afirmou que jamais a adotaria para casos leves. Em uma entrevista a UOL na data supracitada, ela disse estar havendo um otimismo exagerado em relação à cloroquina e que havia riscos: 

“Cloroquina não é vacina. Está sendo vista como salvadora, e não é. Mas se você fala isso, já começa a apanhar porque virou uma questão nacional de pressão. Mas a realidade científica é essa, não tem evidência”

Hajjar integrou um grupo de pesquisadores que estudou estudado a eficácia e a segurança da cloroquina. Dados apontaram que altas doses da substância aumentam a taxa de letalidade em pacientes graves internados em Manaus (AM). A especialista havia deixado claro que não havia ainda um tratamento padrão, mas quando se falava isso recebia duras criticas dos defensores da cloroquina; a pressão era grande.