O PODER ECONÔMICO E O ESQUEMA DE COMPRA DE VOTOS NAS ELEIÇÕES DE TOBIAS BARRETO

 
O vereador preso com uma caderneta, dinheiro e cópias de títulos de eleitores, revela uma prática antiga em Tobias Barreto de compra de votos, que consiste em intimidar a pessoa que vendeu o seu voto, dizendo que saberá se ele ou o seu candidato foi votado ou não, pelo número do título que tem em mãos. As vítimas do aliciamento são eleitores da periferia e zona rural.
 
Em todos os lugares o poder econômico é um fator decisivo numa eleição, mas em Tobias Barreto as coisas vão muito além. Existe um verdadeiro esquema de compra voto bem estruturado, regado com muito dinheiro e que é utilizado pelo mesmo grupo político em todo período eleitoral.
 
Descobrimos esse método de compra de votos nas eleições municipais de 2000, em que a disputa era entre uma professora e um advogado. A candidata e seus agentes visitavam a periferia “doando” R$ 20,00 reais ao mesmo tempo em que anotavam o numérico do título do seu futuro eleitor.
 
Com o número do documento em mãos, diziam que saberiam se o eleitor teria votando ou não. Esse pratica foi levada para o grupo do ex-prefeito Dilson de Agripino, onde foi aprimorada e usada em larga escala nas eleições que disputou para o cargo majoritário.
 
Funciona como uma família da “cosa nostra”, que ao invés de um matador oficial, existe o pagador, o homem da famosa mala preta. De fala mansa e muito jeitoso, ele é o responsável pela distribuição do produto motivador entre as lideranças e políticos coligados, para que façam o trabalho sem envolver o candidato. São ordens de gasolina, camisas com recheio e dinheiro vivo.
 
Em 2012, este que vos escreve, apoiava uma vereadora cujo esposo era dono de um mercadinho (negócio de família), recebeu o convite para agenciar pessoas para ganhar R$ 30,00 reais e uma camisa vermelha para votar no candidato à prefeito. A ordem era para mandar as pessoas interessadas procurar o dono do mercadinho, esposo da referida candidata, para receber o dinheiro e a camisa. Claro que que o convite não foi aceito por questões éticas. Todas as lideranças receberam dinheiro e camisas para o esquema.
 
A cidade ficou vermelha e o prefeito reeleito de Tobias Barreto, Dilson de Agripino (PT) e o vice, Nailson Gama (PMDB) tiveram os registros cassados por decisão do juiz Pablo Moreno da 23ª zona eleitoral, por captação ilícita de sufrágio (compra de voto). Foi graças a contratação de um exército de bons advogados que conseguiu ser absolvido exercer o mandato.
 
Em 2018 foi a vez do vereador Verânio Rodrigues (PT), do mesmo agrupamento, ser preso sob a acusação de compra de votos. O vereador foi flagrado com uma certa quantia em dinheiro, xerox de títulos de eleitores e uma caderneta contendo os nomes dos aliciados.
 
A compra de votos em Tobias Barreto se tornou um ciclo vicioso entre o político e o eleitor, que não dorme enquanto não recebe a esperada visita às vésperas das eleições. Resta saber quais serão as providencias a serem tomadas pela Justiça Eleitoral, nessas eleições para deputado, onde a compra de votos foi comprovada.

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