O projeto de retirar o controle das polícias dos governadores e o golpe em 2022

O presidente da república sabe que não será reeleito e não pretende deixar o cargo pacificamente. A frase “Vão ter que me aturar. Só papai do céu me tira daqui”, dita por  Bolsonaro, nesta segunda-feira a apoiadores, não é uma das suas piadas de mau gosto. Ele não está brincando; o projeto de poder para estabelecer uma ditadura está cada vez mais claro e evidente nas suas últimas afirmações.

Uma das medidas é armar a população (bolsonarista), limitar os poderes dos governos sobre a polícia que mais mata no mundo e usá-las como “milícias” políticas para intimidar governadores, adversários políticos e jornalistas. O projeto da ‘bancada da bala’ de retirar o controle das Polícias dos governadores, nada mais é que a preparação de um golpe  em 2022 após os resultados das eleições. 

Admirador de ditadores e torturadores, Bolsonaro tem o seu próprio projeto autoritário. Os ataques a democracia acontecem desde o início do seu mandato e resultou nos pedidos de impeachment; o último por apologia a tortura. Os últimos acontecimentos não deixaram dúvidas de que governa apenas para uma “tribo” (militares e lideres religiosos). Militares para força bruta e religiosos para propaganda política).

Desde o início do seu governo, Bolsonaro comete crimes de responsabilidade e impõem uma agenda autoritária, e de costumes em detrimento aos anseios populares. O presidente sabe que com sua popularidade baixa (37% de aprovação) e em queda constante, será facilmente derrotado em 2022. Vários fatores contribuíram para o atual cenário; ataques as instituições e ao Estado Democrático de Direito e a falta de um plano de combate a pandemia que ceifou mais de 200 mil vidas.

Apesar de tudo, será difícil derruba-lo através de um impeachment, pois os candidatos à presidência da Câmara e do Senado, são governistas. Além disso, a base do governo tem números suficientes para não deixar o impedimento ser aprovado. Restaria a pressão popular nas ruas, mas Bolsonaro tem o vírus como aliado, que impede a aglomeração. Resta uso correto das redes sociais para o debate em vez de embates de torcidas esquerda-direita.

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