Os loucos da cloroquina e os oportunistas da fé alheia

O dr. Didier Raoult e mais seis médicos foram acusados de charlatanismo pela Sociedade de Patologia Infecciosa de Língua Francesa (SPILF), por aconselharem o uso da hidroxicloroquina para combater a covid-19, apesar do alerta da OMS sobre a eficácia não comprovada do medicamento. 

Conhecido mundialmente como pai da cloroquina, o polêmico e excêntrico francês afirmava que a cloroquina era a cura do (Covid-19): “Não tenho o direito de não usar o único tratamento que até agora se mostrou bem-sucedido. Estou convencido de que, no final, todos usarão esse tratamento… “

Esse posicionamento do renomado médico sobre a hidroxicloroquina era alvo de reclamação do Conselho Regional de Bouches-du-Rhône, por “violações de éticas médicas”, apesar da sua excelente reputação científica. 

Enquanto isso, o médico brasileiro, dr. Guido Céspedes, criava o‘Kit Covid’, que teve como garoto-propaganda, ninguém menos que o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro; os seguidores da seita bolsonarista não perderam tempo.

Divulgaram amplamente nas redes sociais que a OMS havia pedido desculpas por erro e estava recomendando hidroxicloroquina contra a Covid-19, o que foi desmentido imediatamente pela entidade. Infelizmente, o dr. Guido Céspedes  morreu após 45 dias, internado com a doença que o seu kit não foi capaz de curar. 

Paralelamente a pandemia que assolou o mundo, surgiu no Brasil uma doença tão grave quanto o coronavirus; a seita político-religiosa e suas legiões de fanáticos guiados por oportunistas picaretas da fé, os maiores responsáveis pelas mortes de quase 200 mil pessoas. Negaram a ciência para se promoverem politicamente.