Paulo Marinho sabe até onde vai os tentáculos da ‘família’ e sente cheiro da morte

Paulo Marinho tem medo e sente o cheiro morte; ele sabe tudo, é um arquivo vivo depois de Bebianno, a quem considerava um ‘irmão’. Aliás, deve saber onde está guardado o celular do ex-braço direito do presidente, talvez por isso, diz ter provas que comprovam suas declarações sobre o vazamento do delegado da Polícia Federal que favoreceu a eleição de Bolsonaro.

O quartel general da campanha de Bolsonaro funcionava na sua residencia e foi nessa ocasião que ouviu falar da investigação que envolviam a família do seu candidato e do Queiroz. Marinho deve ter se precavido, pois havia descoberto com quem estava se metendo; Fabrício Queiroz, ex-policial e miliciano, tem mais de dez mortes nas costas e era parceiro de Adriano da Nóbrega, miliciano e ex-policial do Bope, apontado como o maior matador de aluguel do Rio de Janeiro.

“Um bom matador e sempre útil. E Adriano é um dos melhores, talvez o melhor atualmente. ”

Afirmou um delegado da polícia Civil do Rio, que pediu para não ser identificada na entrevista dada a UOL notícias. O ex-capitão do Bope, Adriano, foi expulso da polícia e preso; era investigado por chefiar um grupo de milicianos chamado de Escritório do Crime.

Mesmo assim, foi homenageado por Flávio Bolsonaro por duas vezes; em 2003, o então deputado fez moção de louvor a “dedicação” e “brilhantismo” da sua carreira de policial. Em 2005, Flávio fez nova homenagem com a mais alta honraria da Alerj, mesmo com o homenageado preso.

Não parou por aí, o herói da ‘família’ receberia mais uma menção honrosa, dessa vez pelo patriarca, quatro dias depois de ser condenado em júri popular; o então deputado federal Jair Bolsonaro, em seu discurso na Câmara dos Deputados, contou que havia comparecido ao julgamento do PM, que segundo ele, era “brilhante oficial”.

Fabrício Queiroz, parceiro de Adriano, também havia sido expulso da polícia e passou a trabalhar no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro. Foi quando começou as investigações sobre as rachadinhas na Alerj e Adriano foi identificado como um integrante de uma organização criminosa que agia no gabinete de Flávio Bolsonaro, sendo Queiroz o homem de confiança da família.

Esses homens tinham uma estreita relação com o clã; um sendo o homem de confiança e o outro, herói da ‘família’, merecedor de homenagens na Câmara de deputados. Flávio tentou por onze vezes, barrar as investigações. Não é sem razão que Paulo Marinho pediu proteção para ele e sua família; ele sabe que se trata de uma organização criminosa muito poderosa.