Um juiz venal e o presidente miliciano que aparelha o governo para defender a ‘família’

Moro cometeu crimes de prevaricação e de obstrução da Justiça para proteger o chefe; deixou o cargo e perdeu a imunidade, por isso, é precisar que um juiz de primeira instância emita uma liminar de busca e apreensão do seu celular para divulgar todas as conversas dele com políticos, incluindo os áudios com Bolsonaro.

A dupla Bolsonaro/Sérgio Moro era perfeita para os fãs; Rosângela Wolff Moro, esposa do então ministro da Justiça e Segurança Pública, chegou a afirmar em uma entrevista concedida a Folha de São Paulo de 16/02, que não via separação entre o ex-juiz e Bolsonaro. “Sou pró-governo federal. Eu não vejo o Bolsonaro, o Sérgio Moro. Eu vejo o Sergio Moro no governo do presidente Jair Bolsonaro, eu vejo uma coisa só”. Tudo ia bem, até Bolsonaro falar que a vaga no Supremo seria para alguém “terrivelmente evangélico”.

Sérgio Moro e Jair Bolsonaro mentem sobre o acordo feito entre eles sobre uma vaga no Supremo em troca do apoio político da Java Jato. Nenhum juiz deixaria 22 anos de magistratura e no auge da fama, por um cargo de confiança sem nenhuma garantia, apernas para “servir a pátria”. Um cargo de confiança dura enquanto durar o mandato de uma gestão ou muito menos, depende do humor do chefe.

Moro não é ingênuo, ao contrário, é frio calculista; ele queria um final de carreira tranquila e gloriosa, digna do seu status de “herói” da Lava Jato, portanto, exigiu garantias. As garantias exigidas pelo ex-juiz foi: uma vaga no Supremo e a integração ao governo de uma equipe escolhida por ele (recompensa pela militância), e não, uma pensão para a família, caso acontecesse alguma coisa com ele.

Bolsonaro deu com a língua nos dentes e disse abertamente que havia feito um compromisso com o então juiz; uma vaga no Supremo. Tentou desdizer, mas já era tarde, estava explícito que esse foi o verdadeiro motivo da integração de Moro ao governo e uma forma de recompensa, o que foi reforçado durante uma coletiva para rebater Moro e tentar se defender:

“E mais, já que ele falou em algumas particularidades, mais de uma vez o senhor Sérgio Moro disse pra mim: você pode trocar o Valeixo, sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o Supremo Tribunal Federal (STF). Me desculpe, mas não é por aí. Reconheço as suas qualidades em chegando lá, se um dia chegar, pode fazer um bom trabalho, mas eu não troco. E outra coisa, é desmoralizante para um presidente ouvir isso, mais ainda externar, ou não trocar, porque não foi trocado, sugerir a troca de dois superintendentes entre 27”

A cobrança pode ter existido de fato; Moro vinha atuando como advogado da ‘família’ e era cobrado para investigar adversários políticos e livrar amigos, como se fosse um menino de recado. interferiu no episódio do porteiro e ocultou o nome do miliciano Adriano da Nóbrega, um herói para a Bolsonaro e os filhos, com o qual tinha uma estreita relação, chegando a homenageá-lo, mesmo estando preso, da lista dos criminosos mais procuradores.

Um comportamento parcial e não condizente ao cargo de ministro da justiça, a não ser que, esperasse uma recompensa futura. Por outro lado, a bolsonarista, deputada Carla Zambelli, não teria oferecido o Supremo, se não soubesse que havia compromisso a ser cumprido, mas que o chefe havia faltado com a palavra.